Páginas

Bandeirinha

domingo, 22 de novembro de 2009

0 comentários

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentesmaneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Soneto 105

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

0 comentários
Semana super corrida, final de semestre é assim. Então vou deixar um soneto do Shakespeare que eu adoro. ^^

Soneto 105

Let not my love be called idolatry,
Nor my beloved as an idol show,
Since all alike my songs and praises be
To one, of one, still such, and ever so.

Kind is my love to-day, to-morrow kind,
Still constant in a wondrous excellence,
Therefore my verse to constancy confined,
One thing expressing, leaves out difference.

Fair, kind, and true, is all my argument,
Fair, kind, and true, varying to other words,
And in this change is my invention spent,
Three themes in one, which wondrous scope affords.

Fair, kind, and true, have often lived alone.
Which three till now, never kept seat in one.

Porquinho-da-índia

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

1 comentários
Gente... A Fê tá dodói hoje =/
Então a inspiração foi todinha emboora...

Aí, resolvi fazer uso de quem tinha muito mais inspiração e criatividade que eu!
Deixo aqui um poema muito lindo de um dos melhores poetas de todos os tempos (e não é só porque eu adoro o cara).


Porquinho-da-Índia
(Manuel Bandeira)

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .

— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

Pesquisar este blog

Seguidores

 
Sopa de Letrinhas | por Templates e Acessórios ©2010